fevereiro 13, 2017
A única janela limpa
Recém havíamos nos mudado para nossa antiga casa, foi há um bom tempo atrás. Logo em frente, havia uma casa velha, a madeira já era desbotada e os telhados pareciam a ponto de cair aos pedaços com uma tempestade. As janelas eram todas iguais, com o vidro empoeirado e as venezianas que aparentavam rangir, exceto, a janela do terceiro andar, sótão, seu formato era um pouco mais arredondado, ao seu redor, as vidraças eram coloridas, e ela estava sempre limpa. Meu quarto tinha visão para o jardim, e para essa casa.
Eu sempre gostei de olhar as estrelas, achava que as enxergaria com um binóculo. Porém um dia, percebi um movimento estranho vindo daquela janela, tratava-se uma garota, mais ou menos da mesma idade que eu tinha na época, com os cabelos claros e estava sempre mal humorada, ela não abria a janela, apenas ficava ali, parada, olhando para o nada. Comecei a observá-la, todos os dias era assim, eu não conseguia focar em sua face, portanto nunca soube sua aparência de fato, ela parecia um borrão, mas eu imaginava ser em função da distância. Foi assim durante semanas, eu acenava para ela, mostrava meus brinquedos pela janela e tentava chamar sua atenção. Sempre fui tímida, entretanto, um dia resolvi chama-la para brincar, pedi permissão à minha mãe para ir até a casa da frente, chamar a menina que ali vivia. Minha mãe então me disse, que a casa era abandonada, estava a venda e ninguém a comprava há anos.
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